à margem

DIPLOMACIA I. Como é normal nestas ocasiões, Edmund Ho mostrou que tinha a lição bem estudada quando se encontrou com Didier Reynders, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Bélgica. O encontro, que começou com cerca de cinco minutos de atraso - por “culpa” do governante belga - serviu para a assinatura de um acordo que visa evitar a dupla tributação entre a RAEM e o Reino da Bélgica, mas também para a habitual troca de cumprimentos e palavras de circunstância, com Edmund Ho a confessar-se “muito impressionado” com a dinâmica e o desenvolvimento económico do país e a surpreender o anfitrião quando lhe desejou votos de sucesso para as próximas eleições. “Muito obrigado; de facto temos muitas eleições na Bélgica”, replicou Reynders, entre rasgados sorrisos que, amiúde, deram um toque informal ao encontro.

DIPLOMACIA II. Edmund Ho e Didier Reynders trocaram também impressões sobre matérias económico-comerciais e ambos expressaram o desejo de incrementar o intercâmbio empresarial, sendo que a Bélgica mostra-se muito impressada em aumentar a sua presença nos mercados asiáticos. O sector do jogo e o desporto, particularmente o futebol, foram outros temas de conversa no encontro - um dos raros eventos a que os jornalistas de Macau puderam assistir - mas seria a gastronomia a motivar novo momento de descontracção, depois do Chefe do Executivo ter revelado ao ministro belga que o seu périplo europeu terminaria em Portugal. “Coma bacalhau”, sugeriu prontamente Reynders, que revelou ter visitado Macau em duas ocasiões. A dica gastronómica não terá desagradado a Edmund Ho, que aproveitou para “apimentar” o diálogo. “Em Macau, temos muitos pratos famosos da cozinha portuguesa mas, com a mistura de sabores asiáticos, não são reconhecíveis em Portugal”, gracejou o Chefe do Executivo.

IMPRENSA DE MACAU. A delegação de imprensa que acompanha a visita do Chefe do Executivo a Bruxelas inclui 16 elementos de vários OCS de língua chinesa, portuguesa e inglesa. Além do JTM, marcam presença na capital da Europa o diário Ou Mun, Jornal do Cidadão, Macao Post Daily, MASTV, TDM, Clarim, Agência Lusa e Macau Business. Em Portugal, o grupo será reforçado por Harald Bruning, director do Macau Post Daily. A boa disposição e espírito de cooperação são uma constante e contribuem para atenuar as dificuldades sentidas pelos profissionais da comunicação social na recolha de informação.

TRÊS VEZES CAPITAL. Fundada no século X, depois do imperador alemão Otto II a ter cedido ao Duque de Lorena, Bruxelas é hoje uma cidade moderna que goza de um triplo estatuto de capital - da Europa, da Bélgica e da região administrativa de Bruxelas-Capital - e está organizada em 19 freguesias. Nas ruas ouvem-se e lêem-se duas línguas oficiais, a neerlandesa e a francesa, mas bem mais esta do que aquela que até foi dominante em quase toda a história do país, excepção feita aos círculos da alta burguesia e nobreza. Mas, nos contactos entre belgas e a delegação de Macau, é a língua inglesa que tem servido na perfeição ainda que, aqui e ali, misturada com umas palavras em francês, espanhol ou mesmo português. Sem primarem pela exuberância, os belgas têm aliás demonstrado uma simpatia a toda a prova.

SEGURANÇA E PACATEZ. Com mais de um milhão de habitantes, Bruxelas é uma cidade relativamente pacata e inspira segurança. Desde que aterrámos no aeroporto Zaventem, no sábado à noite, poder-se-iam contar pelos dedos os agentes da polícia que vimos a patrulhar as ruas. Os milhares de visitantes que diariamente chegam a Bruxelas também não são motivo suficiente para perturbar a tranquilidade de uma cidade que, pelo menos na aparência, oferece aos seus habitantes aquilo que outras procuram: qualidade de vida. Se o custo de vida está longe de ser barato, os bons salários e o eficiente sistema de segurança social permitem à maioria dos belgas encarar o quotidiano e o futuro com algum desafogo.

CORAÇÃO” DA EUROPA. A importância geoestratégica de Bruxelas é sublinhada pela sua excelente localização. Cravada no “coração” da Europa, a capital belga situa-se a curta distância de cidades como Paris, Londres, Amsterdão ou Frankfurt, às quais é possível aceder através do recurso a uma avançada rede viária, ferroviária e aeroportuária. Por Bruxelas, passa ainda o TGV que liga as capitais francesa e britânica. Motivos mais do que suficientes para que a cidade esteja a acolher diariamente dezenas de excursões de adeptos de todo o mundo que estão a seguir “in loco” o Campeonato Mundial de Futebol. 

PATRIMÓNIO MUNDIAL. Adeptos do futebol ou meros turistas encontram em Bruxelas muitas razões para darem por bem empregues as suas visitas. Uma das maiores atracções da cidade, é a esplendorosa Grand Place, um dos sítios inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO. Rodeada por grandiosos edifícios erguidos segundo os cânones da arquitectura gótica, a praça serve de ponto de encontro diário para vastos milhares de pessoas que enchem literalmente dezenas de esplanadas e restaurantes. Não muito longe, podem-se encontrar outros dois pontos de passagem obrigatória: a Catedral de St Michael e a famosa estátua de Manneken Pis. No curto roteiro percorrido pela comitiva de jornalistas de Macau, ficou também na retina o famoso Atomium, um enorme cristal de ferro com nove átomos construído junto ao Parque Real.